Apresentado ao mundo em 1987 o personagem Pinhead aterrorizou diversos jovens até os anos 90 quando a popularidade dos cenobitas ainda estavam em alta. O tempo passou e após o remeake de 2015 não gerar burburinho algum chegou a vez de um novo filme da franquia Hellraiser surgir e reacender a chama de diversos fãs que ficaram órfãos dos filmes de terror sadomasoquistas.
O décimo filme da franquia é "Hellraiser: Judgment" e foi lançado diretamente em home video (DVD, streaming) nos EUA. Dirigido por Gary J. Tunnicliffe (roteirista do remake de 2011) toda a concepção do longa foi tirada de um curta do próprio diretor e adaptado para o universo de Hellraiser. Na história os detetives Sean (Damon Carney) e David Carter (Randy Wayne) estão procurando por um assassino que segue as ordens bíblicas à risca e cada novo assassinato é baseado em um mandamento, após muito tempo sem conseguirem resolver os crimes a detetive Christine Edgerton (Alexandra Harris) entra em cena para ajudá-los a encontrar o assassino.
Pinhead e o auditor: parceiros em cena.
Tendo uma grande mistura de gêneros, roteiros e inspirações um filme desse tipo só tem caminhos a seguir: ser muito bom ou ser muito ruim, e nesse caso não tem muito o que se discordar.
Começando com uma cena confusa que tenta explicar o porquê dos cenobitas estarem julgando humanos de um novo modo, o filme parte para um cena de julgamento que tende ao horror explícito mas acaba acertando num cenário barato com aberrações saídas dos jogos de Silent Hill. Pra quem assistiu os primeiros filmes da franquia e não estiver entendendo nada desse filme, estamos juntos!
Esse cara aqui parece ter saído de Silent Hill (dos jogos não dos filmes)
As fracas atuações dos detetives acabam sendo mais um ponto negativo para o filme, que por vezes, acaba se transformando em um episódio de CSI com uma pitada de Jogos Mortais, porém sem a maestria do Jigsaw.
A história central também não é nada original e já foi trabalhada em diversos filmes e séries como a primeira temporada de Slasher, por exemplo. Apesar dos pesares o longa ainda se mantém no patamar de um filme de terror mediano que não deve ser levado a sério e que pode entreter durante seus 81 minutos de duração, provavelmente toda a culpa seja do roteiro que em quase nada combinou com a atmosfera criada por Hellraiser e seu exército de cenobitas ao longo dos anos.
Mais um grande filme de terror espanhol que foge dos padrões norte americanos, esse poderia ser tranquilamente um resumo de "Verónica", longa lançado no ano passado mas que chegou mundialmente ao serviço de streaming Netflix em fevereiro desse ano.
O filme conta em sua duração de 1h e 45m a história da jovem Verónica (Sandra Escacena) de 15 anos que decide usar um tabuleiro ouija com suas amigas para contatar o espírito de seu pai. A partir daí algo não humano começa a destruir a sua sanidade mental e acaba colocando seus irmãos menores em perigo.
Dirigido e escrito por Paco Plaza (contribuição de Fernando Navarro no roteiro), a mente brilhante por trás dos três primeiros filmes da quadrilogia "REC", trouxe um trabalho de suspense com variadas pitadas de terror que funcionam por diversos motivos. Desde a fragilidade da protagonista de pouca idade que se desdobra em estudar e cuidar dos irmãos mais novos enquanto sua mãe trabalha em tempo integral, até a tensão religiosa do colégio católico onde Verónica estuda e onde a "Irmã Morte" faz o papel de "comprovadora" do sobrenatural, aquela figura paranormal porém do bem.
Verónica aparece com Irmã Morte em cena.
As atuações por sua parte são todas incrivelmente realistas, tanto de Sandra Escacena no papel da protagonista como também de Ana Torrent no papel da mãe viúva, que apesar de não ter grande destaque na trama, entrega bons momentos de tensão. As crianças também não deixam a desejar e trazem atuações convincentes.
Ana Torrent como mãe de Verónica.
A nostalgia também é trabalhada no filme, afinal se passa nos anos 90, então todo o longa traz esse ar nostálgico desde pequenos detalhes na decoração da casa onde se passa maior parte do filme até as vestimentas.
Apesar de tratar do sobrenatural, o filme é baseado em fatos reais e tenta buscar nesse relato um alicerce que não é deixado de lado, o diretor dispensou cenas obvias, apostou na criação do suspense, evolução da personagem principal e trouxe um produto nada convencional que trata de terror sem apelar para total escuridão, jumpscare ou atuações exageradas. E é muito bom um filme como Verónica vir de um lugar que não fique na América do Norte e que ainda tenha uma qualidade muito superior à maioria dos filmes lançados nesse mesmo intervalo de tempo.
Após alguns fracassos contínuos nos cinemas mundiais os estúdios Paramount apostaram alto no longa Aniquilação, lançado esse ano nos cinemas dos EUA, Canadá e China. Dirigido por Alex Garland (Ex Machina: Instinto Artificial) e protagonizado por Natalie Portman (Cisne Negro) a ficção científica com toques de suspense não decolou e arrecadou "apenas" 11 milhões de dólares em sua estreia (sendo que custou 40 milhões). Cientes do fracasso, os estúdios venderam os direitos internacionais de Aniquilação para a Netflix que logo colocou em seu catálogo e deixou o filme acessível para seu público.
O longa gira em torno da personagem Lena (Natalie Portman) que é uma ex-soldada e bióloga que se vê em uma missão com mais quatro mulheres especialistas em diversas áreas. Todas vão explorar a área X, um lugar isolado onde nada consegue ser explicado de maneira esclarecedora e onde as coisas estão tomando proporções assustadoras em muito pouco tempo. Elas precisam descobrir o que está acontecendo e conseguir sobreviver em uma natureza selvagem.
Logo após assistirmos o longa dá pra se notar alguns erros cometidos e o motivo de um não sucesso à nível comercial: é um filme denso. São quase duas horas de questionamentos, hipóteses, viagens alucinógenas e muitos conceitos. Não conseguiria atingir o grande público do cinema acostumado a receber filmes menos densos e mais explicativos, apesar da sinopse atrair muitos curiosos.
O roteiro também feito pelo diretor Alex Garland contém inspirações em diversos filmes, em alguns momentos parece um capítulo perdido de Alien, e em outros momentos uma continuação de A chegada, mas cada vez que passa perto dessas referências ele consegue retornar e transformar o filmes no mais original possível dentro de uma premissa Sci-Fi.
Apesar de não ser explorado, o filme investe no girl power, com uma equipe de 5 protagonistas.
Os 15 minutos finais do filme valem por todo o tempo anterior e como todo final marcante vão ter seguidores divididos entre gostar ou não gostar, o intuito dele porém, é o debate. Trazer à tona questões tão primitivas como as relações biológicas do ser humano para com a natureza e com ele próprio.
E após a a experiência que é assistir e participar da premissa de Aniquilação, somente uma frase me vêm a cabeça, como disse Lavoisier:"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Nostalgia sempre rende e isso já é fato comprovado por diversas séries e filmes cheios de referências a décadas passadas. A Netflix sabe muito bem disso, com "Stranger Things", "The Get Down" e o episódio "San Junipero" de Black Mirror em seu catálogo pode-se constatar que a empresa sabe muito bem como lidar com a nostalgia de forma saudosa e além de tudo lucrativa.
A mais nova aposta do serviço de streaming é a saudosa "Everything Sucks" totalmente ambienta nos anos 90, mais especificamente em 1996 e se passa na cidade de Boring, localizada em Oregon. Nela dois grupos de nerds (o grupo de vídeo e o grupo de teatro) do ensino médio se juntam para criarem um filme original e assim se tornarem populares na escola Boring e na cidade de mesmo nome (olha a sacada do nome).
É notável e louvável os cuidados em todos os âmbitos para dar ao espectador a real sensação de que ele está nos anos 90, desde os computadores e fitas VHS até as calças de cintura alta e tamagotchis.
A Netflix sabe trabalhar a nostalgia de forma saudável e se prende à diversas formas de associação e apego emocional, o que inclusive funciona muito mais do que a história, que parece confusa em alguns momentos.
Por mais que nos primeiros episódios o romance entre Luke (Jahi Di'Allo Winston) e Kate (Peyton Kennedy) sejam o tema central, descobrimos mais tarde que a real história a ser desenvolvida gira em torno do grupo formado pelos estudantes nerds que procuram realizar um filme que misture duas paixões da época: Ficcção e romance. Apesar da proposta de brincar com a nostalgia, a série debate sobre assuntos necessários que não eram debatidos na esfera dos anos 90, como o descobrimento da Aids e a total falta de informação sobre, e também acerca das próprias descobertas sexuais dos jovens e o quão tabu era a homossexualidade na época (além de nos dar a noção de o quanto o mundo avançou de lá pra cá).
A trilha sonora é uma achado a parte, vamos de Oasis para Alanis Morissette (inclusive o diálogo logo no primeiro episódio sobre Ironic é muito bom) e de Tori Amos para The Mighty Mighty Bosstones, trazendo mais identidade para os personagens.
No geral a série peca em alguns momentos mas funciona bastante em vários outros, cumpre a promessa de trazer grande parte dos anos 90 de forma convincente (mesmo apelando em alguns momentos) e apesar de furos no roteiro e repentinas mudanças (que foram sendo consertadas ao longo da temporada) vale muito a pena pra quem quiser voltar 21 anos atrás pelo menos por algumas horas.
Vale 3 estrelas pela nostalgia, atuações e direção de arte.
Um dia após o outro, essa é a premissa da vida. Passamos dias e dias focados em nós mesmos que mal percebemos diversos detalhes da vida, nessa perspectiva que começa "Most Beautiful Island" ou como foi porcamente traduzido no Brasil, "Fobia". O longa marca a estreia de Ana Asensio como diretora (além de protagonista) e teve seu lançamento em dezembro do ano passado lá no Reino Unido, até hoje não chegou oficialmente no Brasil mas pode ser encontrado nesse mar de informações que é a internet.
O filme nos leva a acompanhar um dia com Luciana (Ana Asensio) que é uma imigrante vivendo ilegalmente em Nova York. Ao mesmo tempo que a protagonista tenta sobreviver sem encontrar um emprego digno, os fantasmas do passado sempre a atormentam, mesmo estando a milhares de quilômetros de sua terra natal. Endividada Luciana encontra através de sua amiga Olga (Natasha Romanova) uma oportunidade de emprego especialmente proposta para mulheres imigrantes e a partir daí ela acaba entrando num sádico jogo com consequências inesperadas.
O thriller de suspense é baseado em fatos reais e alerta para os perigos que aguardam imigrantes em diversas esferas, o longa foi todo gravado com uma lente super 16 para dar um efeito de proximidade dos personagens com o público, o que super funcionou. Se na direção Ana Asensio não decepcionou, na atuação seu potencial só aumentou, foi entregada para o público uma personagem forte porém com suas fragilidades, o que deu um olhar mais humanizado para seus dramas e nos fez torcer positivamente pela sua reviravolta na trama.
Apesar de não ser indicado para quem espera um filme com cenas de jump scare ou várias reviravoltas "Most Beautiful Island" tem no seu enredo seu maior trunfo, desde o ínicio do filme somos tomados por um suspense que é muito bem trabalhado em sua duração, super válido para quem procura tramas com um ar mais cult e que entregam uma boa história.
Theo e Sebatião Reis respiram música e transcrevem em suas canções uma paixão transmitida desde pequenos pelo pai, o cantor Nando Reis.
No disco de estreia "Dois Reis", Theo e Sebastião mostram que o talento é coisa de família mesmo. O álbum é composto de poesia e melodias marcantes. Sebastião comanda o violão e divide os vocais com o irmão Theo, que em suas apresentações são acompanhados por uma banda de formação clássica de rock.
O álbum de estreia foi gravado entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017, no estúdio Space Blues, em São Paulo. Fernando Nunes é responsável pela produção e e arranjos junto com a banda, a co-produção e mixagem ficaram a cargo de Alexandre Fontanetti e a masterização foi feita por Chris Hanzsek, em Seattle, no Hanzsek Audio Snohomish.
Capa do álbum: Zoé
Influênciados pela estética dos anos 70, 'Dois Reis' trata traz em seu repertório uma mescla de nostalgia com modernidade nas 8 canções do disco de rock com elementos de pop, folk e balada. O disco traz músicas autorais e uma parceria com o pai, Nando Reis.
O álbum começa com as faixas "Abri as Portas" e "Seja Como For", duas músicas que mesclam rock e pop sem perder o tom nostálgico dos anos 70.
Logo em seguida, a canção "Se Prepare" surge com um refrão forte e marcante, a nova versão da música, anteriormente gravada pela "Zafanete" banda antiga de Theo, traz acordes precisos e facilmente identificados na música.
"Curva dos 30" versa sobre a passagem do tempo, com arranjo acrescido de trombones,o que é diferencial na canção que ainda traz a presença do folk, transformando assim ela numa melodia gostosa e carismática
Foto: Divulgação
Mostrando todas as influências da música brasileira, Theo e Sebastião trazem "A Sombra do Futuro" com letra reflexiva mesclando rock e acordes do violão trazendo uma pegada brasileira para a faixa, os irmãos cantam 'Tantas vezes eu chorei / Por pensar não aguentar / Me escondi e me feri / É o medo / Tantas vezes eu chorei / Preferi não enfrentar / Me escondendo atrás / De mim mesmo.'
"Repartir" surge com uma balada que harmoniza com a proposta do disco e mostra toda potencialidade do Dois Reis, tanto em relação a composição quanto a arranjos e melodias. Certamente essa será a canção que você vai repetir algumas vezes antes de pular para a próxima.
A próxima faixa do disco conta com a participação da cantora Luiza Lin, "o Sexo Mais Forte" trata sobre a força feminina. A canção traz um pop-rock que se mistura a letra trazendo um acerto de combinação.
A ultima e não menos importante faixa do disco "O Tempo" flerta com o rock progressivo e conta com grande instrumentação, incluindo lap steel e um poderoso trio de backing vocals feminino.
|Foto: Divulgação
Os Dois Reis acertaram no disco de estreia onde conseguiram mostrar sua identidade musical trazendo um álbum único, e poético assim sendo fácil de ouvir e que compõem essa nova fase da música brasileira.
"Dois Reis" está disponível para streaming e compra nas melhores lojas do país.
Ouça o disco:
Se no Bangerz (2013) ela se uniu à influências do hip hop em meio a batidas construídas por Mike Will Made It no Younger Now (2017) Miley Cyrus aposta no "menos é mais", trazendo instrumentos palpáveis, composições pessoais, pessoalidade e muita voz, elementos que fazem desse disco seu melhor e mais maduro trabalho.
Ao começar a audição do Younger Now nos deparamos com a faixa título que abre muito bem o disco, apesar de ser uma canção genuinamente pop com artifícios de repetição e um "oh oh" que gruda no ouvinte, você consegue sentir todos os instrumentos explodirem no momento do refrão. É nítida a inspiração em um visual/som setentista e esse contraste presente em uma voz jovem e um instrumental old school mostra que abrir o disco com YN foi uma ideia genial.
Em Malibu Cyrus encontra um perfeito som praiano que foi certeiro para o verão norte americano. Prova disso é o sucesso da canção nos EUA. Os vocais singelos de Miley são levados pela guitarra de Oren Yoel que já virou marca registrada do produtor.
Seguindo a tracklist ouvimos Rainbowland com participação de sua madrinha a lendária cantora country Dolly Parton. A presença de Parton pode ter sido pensada para trazer um pouco mais de prestígio do público country para o Younger Now mas vai além disso, o dueto é coeso e além de tudo traz uma mensagem social de mudança, defendendo a premissa do disco.
Week Without You segue nessa levada country e apesar de soar animada traz uma história de rompimento, "Eu sei que te dei meu coração mas você pisoteou-o no chão", canta Cyrus em sua carismática balada.
A próxima música já era conhecida pelos fãs como Right Here mas acabou se tornando Miss You So Much, provavelmente uma das baladas mais poderosas de Cyrus. Seguida de um violão ela canta com sentimentalismo "Você pode pegar meu sangue, pegue meus ossos Meu coração é seu, eu sou voluntário Mas como eu sinto tanto sua falta mesmo com você aqui?". I Would Die For You é mais um balada do disco, sem excessos, certeira e sentimental a canção que é a favorita da própria Miley emociona com sua composição simples e cativante.
Aqui temos o momento exato em que Miley mais se aproxima do pop em seu disco, a canção radiofônica Thinkin' traz um refrão pegajoso e um pós refrão infectante. A quebra de ritmo na ponte da canção foi uma ótima forma de não torná-la irritante ao longo de seus 4 minutos.
Acordes country, um coro épico e batidas acentuadas fazem de Bad Mood uma grande canção dentro deste disco, seu refrão tem a obrigação de ficar martelando na cabeça do ouvinte durante um bom tempo.
Em Love Someone ouvimos um pop rock sobre insistir em um relacionamento conturbado. Percebemos o desejo de Cyrus em trazer música real, embalada por instrumentos como a guitarra que acompanha toda a performance rock star dela além do baixo que segue suas nuances vocais.
Saída diretamente de décadas passadas a balada country pop She's Not Him traz a temática bissexual de não conseguir se apaixonar por uma mulher porque já está apaixonada por um homem.
Inspired chega com elementos country amarrados em vocais sussurrados de Cyrus. A balada crescente expõe a habilidade de composição da cantora para tratar de temas que possam inspirar jovens de todo o mundo. "Como podemos escapar de todo o medo, de todo o ódio? Existe alguém olhando por nós aqui embaixo? A morte é a vida, não é uma maldição Nos lembra do tempo e do que vale a pena A tirar o máximo proveito dele enquanto estamos aqui".
Miley Cyrus amadureceu como nunca nesse disco que já pode ser considerado seu melhor e mais pessoal trabalho. Aqui ela mesmo trabalhou na criação e execução das ideias, escreveu todas as músicas e buscou criar uma ligação com Oren Yoel como único produtor do Younger Now, que pode não receber retorno comercial estrondoso como em eras passadas mas confirma Cyrus como um dos grandes nomes dessa geração.
A cantora capixaba Tamy trouxe influências uruguaias para seu novo disco intitulado "Parador Neptunia". Radicada no Uruguai desde 2012, a cantora mora em Montevidéu e gravou o disco em meio à ponte aérea Uruguai-Brasil, o que fez o som desse trabalho unir ambos elementos característicos além de originalizar novas experimentações.
Entre músicas em português e outras em espanhol Tamy passeia pelo pop, Jazz, R&B e candombe, gênero fortemente percussivo e melódico que trouxe o tom pretendido para transformar o disco em uma obra eficaz.
Abrindo o álbum temos a doce faixa pop "Pra ti vê" que faz um papel de abertura pra um disco. Mais pra frente a faixa "Sabiá" resgata esse lado brasileiro em seu instrumental cheio de percussão e gingado que é levado também para os vocais de Tamy.
Em "Festa de Iabá" vemos uma clara influência uruguaia nos acordes de violão entrelaçados com tambores de candombe que dão um toque brasileiro na canção.
A baladinha "Alice" é possivelmente uma das mais lindas do disco, Tamy canta "Só quero te dizer o quanto me faz bem/Te encontrar sem demora, ver seu olhar/ E nele me perder pra ali se revelar", o arranjo pode parecer simples mas os vocais de Tamy se encarregam de trazer o diferencial para a faixa.
"Estrellas" em parceria com Hugo Fattoruso traz essa mesma vibe romântica aproximando a canção do Jazz através do piano que fica a cargo de Fattoruso. O disco segue com "Amor de filha" que é levada pelo violão em meio à cálidos vocais de Tamy que têm a missão de aconchegar o ouvinte, o que dá super certo.
Provavelmente uma das melhores do disco começam agora, "Naná de Água" tem uma proposta pop com um instrumental épico e guitarras muito bem ajustadas à canção que é muito carismática mas poderia ser melhor realocada dentro da tracklist. A finalização do trabalho fica por conta de "Neptunia", uma parceia com César Lacerda que também participa de sua composição, a canção nos lembra das faixas mais calmas do disco e finaliza o trabalho de forma sólida e deixa aquele gostinho de "quero mais" em quem dedica pouco mais de 40 minutos para sua audição.
Parador Neptunia está disponível nos serviços de streaming:
Com citações à pokémon, romance
entre idosos e não esquecendo a principal identidade sonora da banda que são canções
dançantes, a banda carioca Whipallas acaba de lançar seu mais novo EP. O rock
n'roll ganha toda uma malemolência com a criatividade dos rapazes, que são
considerados aposta do Spotify para este ano. Gravado no estúdio Sonido, em São
Paulo, o EP traz uma sonoridade que complementa o lançamento anterior, o EP
“Whipallas”, de 2016. Enquanto o trabalho prévio trazia influências que iam do
indie contemporâneo aos clássicos da década de 60 e 70, o álbum atual foca em
uma experiência mais intensa, com canções que trazem o tempero do funk
americano e a malemolência do indie rock britânico do início dos anos 2000. É
com esse material que a banda fecha um ciclo que começou em trabalhos
anteriores.
Capa Whipallas - Whipallas EP2
Abrindo os trabalhos do novo disco,
o primeiro single “Boogie Boogie” chega trazendo uma melodia agitada que além
de fazer dançar, aborda uma letra reflexiva, uma forma de tratar de diversos
assuntos sem perder a veia rock n’ roll que faz do Whipallas uma banda que se
supera a cada lançamento. O single foi lançado com um clipe estrelado pelo ator
Tonico Pereira a história de um amor mal resolvido, com uma melodia meio soul e
dançante. A ideia de transportar o romance para o universo de um casal idoso
veio das referências que a banda tem de seus próprios familiares.
Em seguida temos “Need a Hand” uma
canção que traz elementos do dub que contrastam com a energia dançante do rock
n’ roll. Criada a partir de um riff e um refrão, a letra sarcástica e irônica
traz um olhar crítico em relação aos figurões da sociedade. A terceira música
chega como uma resposta a ironia da canção anterior, intitulada de “To be True”
o amor de um pai para com o seu filho é a temática que guia a melodia doce,
lembrando o rock da década de 50.
Com um vocal rasgado que sustenta
a letra e dá um tom de desabafo, “Do not Disturb” chega para compor o EP, uma
canção que mistura problemas sociais, alienígenas e Pokémons, (siimmm essa mistura
muito louca) porém, apesar dessa mistura nada convencional, o refrão suaviza e
chega a se tornar um mantra.
Foto: Vitor Vieira/Vida Bossa
“Back to Work” é a quinta faixa
do EP, surgiu em um ensaio livre mas tem um um riff de baixo, outro de
guitarra, uma levada de bateria muito bem pensados e executados, se tornando a
canção mais agitada e diria que dançante do EP (difícil pois não tem como ficar
parado com nenhuma das canções). Para encerar a Whipallas apresenta uma canção diríamos
que de homenagem, pois “Darwin”, foi composta após o acidente com o time da
Chapecoense, em dezembro de 2016, e se tornou uma análise da efemeridade da
vida, da imprevisibilidade dos acontecimentos.
O novo álbum está disponível nos
serviços de streaming.
Após uma longa batalha judicial contra o produtor Dr. Luke, a cantora Kesha finalmente conseguiu se livrar de parte das amarras que lhe prendiam. A tão sonhada liberdade, pelo menos musical, foi "cedida" pelo produtor depois da adesão de famosos e o barulho de fãs nas redes sociais através do #freekesha. Seu novo disco de estúdio "Rainbow" é lançado pelo selo Kemosabe de Luke mas traz em suas composições claras e dolorosas todo o reerguimento da cantora perante a si mesma e seu público. Vocais impecáveis, letras maduras, novas experimentações e quilômetros longe do excesso de autotune que outrora era sua marca registrada, fazem de Rainbow o melhor disco da carreira de Kesha.
Capa de "Rainbow" lançado no último dia 11.
O fervoroso hino feminista "Woman" traz uma reinvenção de Kesha em meio a uma produção de mão cheia e a participação da banda The Dap-Kings Horns, que fazem dessa faixa algo que Amy Winehouse poderia cantar em 2017. "Learn to Let Go" e "Hymn" conseguem se aproximar da Kesha mais dançante e cheia de sintetizadores, as faixas animadas trazem um balanceamento para o disco e podem estar entre as favoritas de muita gente.
No álbum, duas faixas trazem a participação da banda Eagles of Death Metal e o que poderia render uma parceria desastrosa acabou soando muito bem. As faixas "Let 'em Talk" e "Boogie Feet" conseguem trazer o melhor da voz de Kesha em meios à viciantes riffs de guitarra.
Porém, os grandes destaques do disco estão nas emocionais "Praying" e a faixa-título "Rainbow", duas baladas que falam sobre a libertação, aceitação e o reencontro com o seu interior.
Em Praying a cantora abre seu coração em meio aos melhores vocais de sua carreira, a canção que chegou a 25ª posição na Billboard Hot 100 põe em cheque a credibilidade de Kesha como uma verdadeira cantora, e para além disso, uma grande compositora, comprovando assim seu talento em ambas as áreas.
A sensação que temos quando terminamos a audição do disco é de que uma nova artista está entrando no mundo da música, o disco tem a fome de um debut e bate de frente com grandes lançamentos desse ano para o posto de melhor disco. Kesha renasceu e finalmente mostrou todo seu potencial, o disco explorou seus medos, falhas, anseios e trouxe em seus vocais mensagens poderosas e necessárias que devem inspirar milhões de pessoas ao redor do mundo.
O primeiro registro de Kell Smith chega
recheado de novidades, uma mistura sonora brasileira e contagiante dirigido por
Rick Bonadio e a equipe do Midas, um EP que homenageia a música popular
brasileira e a sua principal influência, a maravilhosa Elis Regina, trazendo
também um hino de resistência e militância feminista.
“Respeita as minas” é a primeira
faixa desse EP repleto de singularidades, a faixa que foi lançada no Dia Internacional
das Mulheres carrega toda uma construção militar mas ultrapassa essa função,
ela consegue acertar através da mistura incrível do hip hop com o pop, bebendo
da agua do rap transmitir uma mensagem de força e luta por respeito, para ela e
para todas as mulheres, em nome de grandes figuras femininas na construção histórica
de resistência.
A segunda faixa eu me sinto bem
suspeito para falar sobre, já que amo de paixão, se trata de "Era uma vez", uma
canção belíssima, poética e que traz uma nova roupagem da música popular
brasileira uma melodia leve e simples, que conta com arranjos de cordas e a
suavidade do piano, com uma letra que fala de lembranças de uma infância e as
dificuldades que aparecem com a chegada da maturidade.
Ainda numa sequência de um MPB
suave e revigorante, a terceira faixa “Meu lugar” chega trazendo a trajetória de
Kell até chegar ao registro, a letra que conta com uma melodia construída com
bases de violão, cordas e piano começa com o alertar do despertador e segue
formulando uma espécie de desenrolar, mostrando as histórias e as inquietações
da cantora.
A quarta e última faixa nos
presenteia com uma lembrança sonora maravilhosa, uma canção que mostra a influência
perceptível da inesquecível Elis Regina, em um MPB com pegada pop insert de
acordeão e a projeção de uma voz forte e embriagada nos lembrando mais ainda a
Pimentinha da música popular brasileira, mas mesmo com essa construção ao final
temos a identidade da Kell, uma invasão de um rap direto, que casa
perfeitamente com o MPB a lá Elis.
O EP homônimo é uma junção de
desejos e lembranças mostrando que é necessário trazer à tona o que de mais é
valioso nas nossas vidas, uma mistura de MPB único e recriado com elementos do
rap e do hip hop, que se complementam perfeitamente e torna o EP uma das
apostas para o ano de 2017.
Disposta a soar cada vez mais como ela mesma a cantora e atriz Lea Michele, que ficou conhecida mundialmente pela série Glee, lança seu segundo disco de estúdio intitulado "Places" e ao escutarmos o mesmo nós constatamos que Michele é uma das maiores cantoras de nossa geração.
Capa de "Places", segundo disco da Lea Michele.
Após o quase-desastroso desempenho do bagunçado "Louder" Lea Michele retomou as rédeas de sua carreira e decidiu trazer naturalidade e talento acima de tudo para "Places". Nesse disco o principal não são as batidas frenéticas nem os produtores caríssimos que costumam trazer hits preparados para tocar à exaustão nas rádios mas sim com composições honestas e vocais impecáveis que fazem desse disco uma viagem necessária através de uma artista se redescobrindo.
Seja pela auto afirmação do amor em "Love Is Alive", pela saudosa "Sentimetal Memories" ou ainda pela pequena obra-prima "Run To You", Lea Michele passeia por relações humanas, sentimentos escondidos e torna suas experiências cada vez mais próximas de seu público.
A faixa "Heavy Love" em especial é uma das maiores canções já interpretadas pela cantora, seu refrão poderoso e sua forte composição trazem como abordagem a confiança necessária em um relacionamento, "Debaixo de seus lençóis/ eu dissolvo / Com segurança em seu calor / nunca congelo" diz parte dessa balada muito bem produzida e interpretada. O mesmo ocorre com as emotivas "Proud" e "Believer" que trazem temas como auto confiança à tona.
Balançando um pouco o disco nos deparamos com a mais agitada faixa, "Anything's Possible" onde ouvimos uma Lea Michele mais solta nessa música que já soa como um hino.
Porque se eu tenho você, se você me tem / Nós não precisamos de mais nada / Dormindo o dia todo, dirigindo a noite toda / À procura de um lugar para chamar de nosso, um trecho de "Getaway Car" é suficiente para nos conversemos do poder de composição da Lea Michele, uma das músicas mais emocionantes do disco nos transmite os sentimentos do eu-lírico quase como se conhecesse-mos a inspiração por traz da canção.
Longe de uma milionária super produção Lea Michele encontrou sua voz em "Places" e deseja mostrar ao mundo algumas músicas pessoais extremamente bem interpretadas que fazem do disco uma obra prima e para além disso um dos melhores lançamentos desse ano. Se você ainda não ouviu, merece sua atenção.
Formada por Vinícius Carossi, Bidu Dequech, Matheus Ribeiro, Euclydes Bomfim e Lucas Bastos a banda Gampvem colecionando alguns hits desde seu primeiro disco, o trabalho mais recente da banda é o EP "GAMP" que traz faixas ineditas com uma pegada mais pop porém sem deixar o velho rock de lado. Leiam abaixo nossa review sobre o EP:
A faixa que abre o disco é Previsão do Tempo que traz como cartada sua composição carismática e seu refrão explosivo que lembra trabalhos do Imagine Dragons. Muito bem trabalhada a canção é um rock com uma fórmula pop que geralmente tem dado certo pra algumas bandas, nesse caso deu muito certo.
A segunda faixa do EP é Tarde Demais que ao contrário da primeira traz vocais mais roucos e guitarras mais pesada. Alguns elementos eletrônicos no refrão são usados para dar um toque a mais na canção (algo bem Bonadio rs). Apesar de ser uma boa música a composição deixa um pouco a desejar em alguns versos que soam genéricos. Forte e feliz recupera o fôlego do EP e traz a GAMP pra mais perto do rock efetivamente. O refrão muito bem trabalhado faz da canção uma das melhores do trabalho A composição também surpreende e soa muito bem entrosada com a canção em si. Os riffs de guitarra também são muito bem vindos nessa faixa.
A última do EP é Sanidade que traz uma certa leveza para o trabalho. Aquela faixa mais relax com um violão bem marcado nas estrofes. O refrão viciante pode deixar essa música no repeat.
Como um todo o EP cumpre seu papel de transição do som da banda Gamp para algo mais pop/rock porém sem perder a essência e originalidade que eles trouxeram desde o ínicio da carreira. Mal podemos esperar por um disco completo.
Formado por Samille Joker e Rique Azevedo o duo de folk pop Little Nation lançou no ano passado o disco "Hum". Colhendo os bons frutos após alavancar músicas em duas novelas Rede Globo o duo conquista mais fãs com sua música que leva delicadeza e cuidado com os mínimos detalhes vocais e de produção de um disco. Hum se torna um cartão de visitas de um lugarzinho que você sempre vai querer visitar e relaxar.
Capa do disco "Hum".
A energética Maze abre o disco com um instrumental bem trabalhado, com um tom de
folk em que os vocais trazem mais um diferencial. O refrão é apenas um dos
pontos altos da canção que é uma das melhores faixas.
Silence já
traz um violão cru e vocais calmos para combinar com a vibe da canção. A produção chega a soar um pouco country em seu
refrão.
A terceira faixa é Talvez, a primeira cantada em grande
parte por Rique Azevedo e também a primeira totalmente em português. É uma
balada que fala sobre os desencontros da vida e aquele sentimento de “como
seria?” que encontramos em diversas situações. Uma das favoritas do disco.
Seguindo com a audição nos deparamos
coma melancólica Reach Out ,
voltando para o inglês a dupla traz um refrão limpo em que a voz é a principal
composição. Com o passar do tempo pode-se ouvir até um coro de fundo que traz
toda uma aura sentimental que encaixou completamente com o crescimento da
canção.
The Riddle já
começa um pouco mais agitada, trazendo mais daquela pegada country. É uma
daquelas faixas bem gostosas de ouvir.
A sexta faixa é a balada em
português, Menina. Samille Joker canta com propriedade a canção que é uma das mais emocionantes do disco. A
franqueza da composição é passada pelos vocais que compensam a pouca duração da
faixa.
Unknow começa
como um mistério, logicamente para combinar com o tom da composição.
Possivelmente a faixa mais obscura do disco que lembra um pouco canções do
Evanescence com um toque de folk. Uma ótima música.
A próxima do disco é Roller Coaster, mais uma balada muito
bem trabalhada que segue aquela fórmula de estrofes mais lentas e refrão mais
arquitetado.
A nona canção é The Hardest Book que traz a mesma pegada misteriosa de Unknow e
toda a aura que a envolve. Mais uma vez os vocais de Samille se
sobressaem e trazem a música à tona.
Mais uma em português. Nossa Casa começa com Rique assumindo os vocais e percebemos o quanto a Little Nation consegue fazer
músicas gostosas de se ouvir. Essa deverá ir para o seu repeat.
A última faixa do disco é Life Song, que conta até com elementos
externos como o som da água e o canto de pássaros. Uma baladinha que reflete
sobre a vida e fecha com chave de ouro esse grande disco.
Lançado na última sexta (07), o novo single do Harry Styles (One Direction) está gerando grande burburinho pela internet por parte dos fãs e em sites especializados por meio da crítica. Artisticamente falando o single é um dos maiores acertos do ano, não estamos falando de números mas sim da qualidade da canção que apesar de ter o apelo pop do cantor foge da corrente principal de músicas que tocam nas rádios por exemplo.
O debut solo de Harry se chama “Sign Of The Times”, foi produzida Jeff Bhasker (Lana Del Rey) e é muito do que queríamos ouvir do rock britânico nos últimos anos, a música que tem quase seis minutos de duração tem característica progressiva, baterias bem segmentadas e a voz de Harry passeia por várias nuances enquanto a canção se desenvolve.
Styles que é britânico, trouxe a mesma exigência musical que outros grandes artistas como Adele e Noel Gallagher (estamos falando de sua música não personalidade) trazem para seus trabalhos, o single foi pensado como um todo e com certeza deverá ter um grande papel dentro do primeiro disco do cantor.
A divulgação por sua vez começou grandiosa antes mesmo do lançamento do single. Comerciais aparecem durante horários variados na TV britânica, algo semelhante ao que Adele fez ao divulgar teasers de “Hello” pouco antes de seu lançamento. Harry também não permitiu que suas influências chegassem despercebidas, em um ensaio para a revista Another Man (2016) ele deixou claro sua afinidade com o rock em diversas fotos que lembram inclusive artistas consagrados como Steven Tyler do Aerosmith.
Shoot para a revista Another Man em 2016.
Trazendo um repaginado rock britânico com vocais muito bem explorados, Sign Of The Times é de longe o melhor trabalho solo de um ex integrante da One Direction (pelo menos até agora já que Liam Payne ainda se prepara para lançar o primeiro single solo). Esperamos todo esse vigor e pessoalidade em seu primeiro disco de estúdio que segue sem data de lançamento confirmada. E de certeza só sabemos que, se o disco seguir como "Signs" teremos que abrir um espaço em nossos corações para mais um hinário.
Alertamos vocês para ficarem de olho na promissora banda Zumpiattes. Pois bem, após apresentar a sonoridade dela aqui no site com seu primeiro single "Laço de Cetim" eis que o EP deles chegaram pra alegrar o cenário indie brasileiro.
Intitulado "Margens" o EP foi lançado nas plataformas de streaming com arte da capa feita pela Jussara Helouise com a modelo Bárbara Tagliati.
Disposto em seis faixas inéditas o EP vem mostrando os limites de se trabalhar entre o folk e o alternativo, uma linha tênue e ainda pouco explorada em solo tupiniquim. Nossos ouvidos se agarram as faixas buscando atentamente atrelar os instrumentais bem pensados com as composições fortes e pessoais. A viagem existe, seja passeando pela melancolia de "Em alto mar", buscando a dualidade em "Laço de cetim" ou durante os seis minutos de "Dança à dois" onde a serenidade atinge sua plenitude.
A proximidade da experiência dos caras com os fãs e curiosos durante o processo de criação do EP também é um ponto favorável para que toda a produção possa soar sincera e familiar. No instagram, por exemplo, nada era guardado à sete chaves, os integrantes começavam a esboçar a apresentação de "Margens" ao público, criando um laço afetivo e um certo hype em torno do material.
Apresentando a sensibilidade de veteranos na composição e o fôlego de novatos enquanto banda emergente no cenário nacional a Zumpiattes apresenta uma ótima prévia do que realmente eles conseguem fazer, "Margens" já é um dos melhores lançamentos nacionais desse ano e com certeza será falado durante muito tempo.
Formada por 10 integrantes (!) a super banda Samuca e a Selva lança seu primeiro disco "Madurar". Samuel Samuca que responde pelos vocais enquanto a distribuição dos outros 9 integrantes fica assim: 4 nos metais (Bio e Kiko Bonato nos saxofones, Felippe Pipeta no trompete e Victor Fão no trombone), Fábio Prior na percussão, Guilherme Nakata na batera, Marcos Mauricio nos teclados, Thiago Buda no baixo e Allan Spirandelli na guitarra.
Essa grande quantidade de músicos em uma mesma banda refletiu no primeiro trabalho deles, Madureira traz uma mistura incrivelmente rica em ritmos e nuances que vão desde a composição á escolha de um instrumento em determinado arranjo.
Capa do primeiro disco da banda, Madurar.
Começando o disco encontramos a intro chamada "Vai" e logo após o swing começa pra valer com a faixa “Madurar”,
a faixa além de ser o primeiro single do primeiro disco ainda dá nome ao álbum
e vai muito além de significados, em meio a versos que dizem “essa amoreira vai
madurar” fala-se do amor em si, o amadurecimento do amor. E como se não
bastasse apenas com essa música Samuca e Selva passeia pelo jazz, R&B e
flerta com o groove, tudo muito bem dosado sem deixar de lado os vocais muito
bem distribuídos em toda a canção.
Continuando com a audição temos mais groove com “Pobre do
Bento” e em “Afobado peito altivo” encontramos uma pequena obra prima,
composição fluída em meio a swing suave com flertes de forró.
"Já são três horas E o amargo do teu beijo Segue caindo meu queixo Corcovado de pensar"
Mais a frente temos “Detergente” que nos lembra uma lambada
dos anos 80 com uma nova roupagem, uma salsa sem compromisso. "Á beça" traz uma
jazz cantando em inglês com uma guitarra frenética, é uma quebra e tanto no
seguimento do disco e até agora é minha faixa favorita, muito soul e composição
bem trabalhada.
"Guará" é a faixa mais autobiográfica do disco e talvez a mais
especial também, tem uma levada que deixa o ouvinte preso na canção. "Coco Docê" traz mais a regionalidade que encontramos outrora em Afobado peito altivo, mais
um pouco de forró e maracatu. "Flores Raras" quebra mais uma vez a obviedade do disco e traz
um groove hipnótico que mais uma vez conquista nos primeiros segundos. Em "Pantanal
Paraguaio" a latinidade vem fortemente nos vocais e instrumental da canção, uma
música bem deliciosa de se ouvir.
"Esperanza (Bem vindo à selva)" já começa com um groove massa e
em pouco mais de 2 minutos ouve-se apenas o instrumental que prepara para a
explosão dos vocais. E o disco acaba com "Pantanal", uma versão instrumental de
Pantanal Paraguaio mais bem trabalhada com reforço de uma sanfona mais bem
aproveitada.