O primeiro registro de Kell Smith chega
recheado de novidades, uma mistura sonora brasileira e contagiante dirigido por
Rick Bonadio e a equipe do Midas, um EP que homenageia a música popular
brasileira e a sua principal influência, a maravilhosa Elis Regina, trazendo
também um hino de resistência e militância feminista.
“Respeita as minas” é a primeira
faixa desse EP repleto de singularidades, a faixa que foi lançada no Dia Internacional
das Mulheres carrega toda uma construção militar mas ultrapassa essa função,
ela consegue acertar através da mistura incrível do hip hop com o pop, bebendo
da agua do rap transmitir uma mensagem de força e luta por respeito, para ela e
para todas as mulheres, em nome de grandes figuras femininas na construção histórica
de resistência.
A segunda faixa eu me sinto bem
suspeito para falar sobre, já que amo de paixão, se trata de "Era uma vez", uma
canção belíssima, poética e que traz uma nova roupagem da música popular
brasileira uma melodia leve e simples, que conta com arranjos de cordas e a
suavidade do piano, com uma letra que fala de lembranças de uma infância e as
dificuldades que aparecem com a chegada da maturidade.
Ainda numa sequência de um MPB
suave e revigorante, a terceira faixa “Meu lugar” chega trazendo a trajetória de
Kell até chegar ao registro, a letra que conta com uma melodia construída com
bases de violão, cordas e piano começa com o alertar do despertador e segue
formulando uma espécie de desenrolar, mostrando as histórias e as inquietações
da cantora.
A quarta e última faixa nos
presenteia com uma lembrança sonora maravilhosa, uma canção que mostra a influência
perceptível da inesquecível Elis Regina, em um MPB com pegada pop insert de
acordeão e a projeção de uma voz forte e embriagada nos lembrando mais ainda a
Pimentinha da música popular brasileira, mas mesmo com essa construção ao final
temos a identidade da Kell, uma invasão de um rap direto, que casa
perfeitamente com o MPB a lá Elis.
O EP homônimo é uma junção de
desejos e lembranças mostrando que é necessário trazer à tona o que de mais é
valioso nas nossas vidas, uma mistura de MPB único e recriado com elementos do
rap e do hip hop, que se complementam perfeitamente e torna o EP uma das
apostas para o ano de 2017.
Recentemente falamos um pouco
dessa banda de rock inovadora que traz em seu ritmo a musicalidade cultural brasileira.
E hoje estamos aqui para apresentar esse disco fantástico que acaba de sair do
forno. Com a tentativa de não ser apenas mais uma banda de rock, a Overdrive veio
planejando a tempo esse disco, querendo homenagear as diversas influências
musicais que construíram o som do grupo e foi assim que xote, baião e até o
funk entraram nessa mistura criativa que originou no brasileiríssimo álbum
“Overdrive Saravá”, que já está disponível nas plataformas de streaming.
Foto: Juliana Novais
A banda niteroiense formada
por Gregory Combat (vocal), Lucas Botti (guitarra), Thiago Henud (guitarra),
Matheus Freire (baixo) e Renan Carriço (bateria). Traz nesse disco inspirações no
folclore, na música regional e nas tradições brasileiras e a partir dessas
influências surgiram parcerias com artistas de diversas áreas do mundo artístico,
e o fruto dessa troca manifesta-se no álbum que transborda brasilidade. Podemos
notar toda essa manifestação logo no início do disco com a primeira faixa (Anunciação),
uma introdução musical que nos faz lembrar o bando anunciador (movimento
cultural presente e festas religiosas), uma carga musical que vem antes de tudo
saudar e apresentar o disco. Outro ponto notável é a representação da cantoria
coletiva presente na segunda (Guerreiro do Cerrado) e terceira (Atabaques e D’jembes)
faixas do disco. Sem deixar passar o “Forrock” pé de serra que abrilhanta a
quarta (666 noite) e a sexta (Mandacaru) faixa do álbum.
O disco “Overdrive Saravá” é
formado por oito faixas baseadas em estudo e vivência dos processos culturais
no Brasil, também utilizando referências e embasamentos de conceitos e imagens
da tradição, como na arte gráfica e fotografia. Ouça o disco de estreia de Overdrive
Saravá:
Segunda música de trabalho do álbum
“Pancadélico”, a faixa “Um Dia Pra Não se Esquecer (Sunrise) ” ganhou
videoclipe com a participação do rapper Projota . O clipe foi dirigido por
Bruno Fioravanti e gravado apenas com uma câmera de mão, o vídeo conta a
história de um casal apaixonado que passa de um desentendimento a uma
reconciliação em um dia que marca suas vidas. Mostrando ótima sintonia entre
Rogério Flausino e o rapper paulistano, o clipe mostra ainda cenas inéditas do
show de estreia da “Pancadélico Tour”, gravadas na Fundição Progresso, no Rio
de Janeiro.
Produzida pelo norte-americano
Jerry Barnes, em parceria com o alemão Chris Leon, a música traz novos
contornos sonoros e poéticos ao som dos mineiros, passeando entre o pop e o
reggae. Com batida forte e coro vocal contagiante, "Um Dia Pra Não Se
Esquecer (Sunrise)" terá a missão de dar continuidade ao sucesso de
"Blecaute", primeiro single do álbum, que conta com as
participações especiais de Anitta e Nile Rodgers, e já alcançou mais de 6
milhões de views na VEVO/Youtube.
A banda de rock baiano "Dona
Iracema" vem agitando os quatro cantos do Brasil com seu hardcore atípico.
Formada atualmente por Rodrigo Bodão, Diegão Aprigio, Enzo Fernandes e Oscar Sampaio. Dona
Iracema é um dos grandes novos nomes do rock baiano pelo fato de encontrarem
uma química ideal que mistura o Rock hardcore com características baianas em
suas letras.
Confira a entrevista:
B3 - Qual a origem do nome "Dona Iracema"?
DONA IRACEMA - O distinto nome, Dona Iracema, reflete nossa admiração
por nomes femininos, que, para nós, representa força. A escolha veio em meio a
uma situação cotidiana, em que a mãe de um dos integrantes ligou para dar uma
bronca em seu filho durante o ensaio, e com o fim do telefonema, a ideia de
homenageá-la foi inevitável. Assim, Dona Iracema foi o nome escolhido para vir
à frente de nossa banda.
B3 - Quais são suas principais influências musicais?
DONA IRACEMA - Temos várias influências que vão além do rock/hardcore,
mas também de ritmos regionais como o baião, forró e maracatu e a partir disso
a banda se lançou no cenário musical baiano com uma nova proposta intitulada de
“Catincore Iracemático”, enfatizando o trabalho autoral, cantado em português,
com um estilo próprio que mescla o rock e a música regional e apresentações
performáticas. Os artistas que nos influenciam são muitos, mas de uma forma
bastante resumida, diria que nossas maiores influências são: Raimundos, Mamonas
Assassinas, Luiz Gonzaga, Dead Fish, Nação Zumbi, dentre outros.
B3 - Vocês colocam várias críticas a sociedade na letra de suas
músicas, além de ser uma característica do hardcore brasileiro vocês utilizam
como forma de expressar o ser político e social do compositor?
DONA IRACEMA - Sim, até porque a música em si é uma arte que também
agrega elementos científicos e políticos, como também expressa nossos
sentimentos, nossa maneira de pensar e agir. Essas referências são adquiridas
através do conhecimento e reflexão, que o compositor acaba agregando aos seus
trabalhos. Em nossas letras, buscamos utilizar das situações pessoais que
ocorrem na banda (nossas próprias histórias) e da crítica social de uma forma
que a linguagem fique mais popular.
B3 - Vocês misturam muito bem o harcorde com ritmos nordestinos, isso
inclusive é refletido na composição. Vocês acham que isso dificulta o
entendimento das canções ou apenas leva mais adiante a fala característica?
DONA IRACEMA - Acho que leva mais adiante a fala característica
(risos). Até porque isso é feito de uma forma muito espontânea, isso faz soar
de forma mais leve ao receptor, facilitando o entendimento. No nosso dia a dia
de banda, tentamos entender também como é o público que nos escuta, isso acaba
nos ajudando nas composições, nesse casamento sonoro do rock pesado e dos
ritmos nordestinos. Por isso também que salientamos elementos da linguagem
popular, falando do povão mesmo, trabalhadores, cidadãos e cidadãs na cidade ou
no campo, eles nos inspiram muito.
B3 - Todo o trabalho de vocês está na internet e de forma gratuita,
contar com a internet como maior forma de divulgação é um grande avanço para
vocês como músicos?
DONA IRACEMA - Com certeza. A partir do momento que você tem uma
ferramenta multimídia, rápida e de fácil acesso, você tem que aproveitar dela.
Hoje não só a Dona Iracema, mas vários e vários artistas estão enfatizando o
uso da internet como forma de divulgação, o meio musical mudou muito e a
internet foi um dos maiores modeladores. Ela é o presente e o futuro.
B3 - Ouvindo o EP "Dona Iracema" dá para notar uma
influência de Raimundos e quem sabe uma versão mais hard de Vivendo do ócio,
vocês se inspiram nesses dois nomes?
DONA IRACEMA - Na verdade o Raimundos foi a nossa primeira referência,
já que no início da banda a proposta era de fazer cover do Raimundos, mas isso
já mudou bastante, realmente no EP fica bem evidente essa influência deles, no
caso do Vivendo do Ócio já não há essa influência direta no som, apesar de
gostarmos muito do som deles e admira-los. Tivemos o prazer de tocar num mesmo
evento que eles participaram no início do ano aqui em Vitória da Conquista,
acredito que tanto Raimundos quando o Vivendo do ócio são inspiradores pra os
artistas do seguimento, mas hoje em dia nossa banda está mais autônoma em
relação a essas influencias do primeiro EP, consolidando um identidade sonora e
evoluindo gradativamente a cada música nova, principalmente depois da entrada
dos novos integrantes. Nós estamos fazendo um som cada vez mais a NOSSA cara.
B3 - Qual será o futuro musical da banda? Vocês estão sempre compondo?
DONA IRACEMA - Estamos sempre compondo e muito em breve estaremos
disponibilizando essas novidades musicais ao público. Estaremos lançando o novo
vídeo clip da banda ainda este ano e do nosso futuro só temos a certeza que
continuaremos trabalhando com seriedade e dando um passo de cada vez, os
objetivos são muitos e acreditamos nem nosso potencial.
B3 - O disco físico ainda é bacana para os fãs, vocês pensam em lançar
versões físicas de seus discos e EPs?
DONA IRACEMA - Nós não descartamos essa possibilidade, mas nosso foco
atualmente é a internet. Como foi dito anteriormente, quando você tem uma
ferramenta multimídia, rápida e de fácil acesso, você tem que aproveitar dela.
Infelizmente o disco físico não está sendo tão utilizado e ele requer um
investimento relativamente grande, coisa que as plataformas virtuais facilitam
bastante e divulgam em maior proporção. Nós vamos continuar divulgando a banda
através desses veículos, lançando novas músicas, novos vídeos e etc; a intenção
é ir melhorando a qualidade sonora e quando lançarmos um álbum inteiro tudo
pode acontecer, talvez a gente lance material físico também.
B3 - "Tabu a dois" a faixa bônus do primeiro EP é uma fuga
das guitarras e mostra um lado romântico da banda. Vocês pensam em investir
nesse lado mais vezes?
DONA IRACEMA - “Tabu a dois” foi realmente uma bônus, um extra, pois
ela não seria lançada, mas a Dona Iracema é uma banda que gosta de arriscar e
aí foi. Até hoje tem gente que pede pra gente tocar ela nos shows. Ela é bem diferente
das outras músicas, mas poderia ter sido, sei lá, um repente... A gente gosta
de arriscar, de inovar, de surpreender, mas atualmente estamos focados em
composições que misturam ritmos regionais e hardcore, uma hora mais pesado,
outra hora mais leve, mas presamos pela sonoridade que se tornou a marca
registrada da banda, que intitulamos de Catincore Iracemático.
Saibam mais
sobre a Dona Iracema e sigam/curtam/ouçam a banda nas redes sociais:
O Queer rap é um movimento criado
nos Estados Unidos, em seu conceito define essa vertente como rap feito por
gays, no início, esse nome era uma forma de tentar desqualificar e ofender os homossexuais,
pois Queer, em inglês, é o mesmo que bicha em português. Mas o termo foi
incorporado à linguagem gay e assim o Queer rap conseguiu seu lugar no mundo
dos gêneros e hoje faz sucesso não só nos EUA como no nosso país.
Com muita vontade e gratidão pelo
que faz, Rico Dalasam surge como pioneiro trazendo esse movimento para nossa
nação, o paulistano nascido em Taboão da Serra (SP) vem quebrando os tabus
encontrados dentro do gênero do rapper. Ele estreia no movimento lançando o EP
“Modo Diverso” em maço desse ano e atualmente está desenvolvendo vários
trabalhos com muita novidade por vim, batemos um papo com o Rico onde falamos de
toda essa vertente do Queer Rap e vários outros assuntos de caráter importante
que de um forma influenciam em seu trabalho.
Bang3: Quais
são suas principais influências e referências na hora de se vestir, de cantar e
de compor?
Rico Dalasam:
Para me vestir, Rick James e André 3000. Para cantar, M.I.A e para compor eu me
inspiro em minhas vivências e minhas experiências.
Bang3: Quando
você vivenciou o movimento você teve uma empatia em relação a ele ou com o
tempo que você foi se aproximando e começando a lidar com essa nova forma de
fazer rap?
Rico Dalasam: Eu
fui fazendo música, sempre estive envolvido em falar verdade. Existe minha vida
e uma grande vontade de me expressar. Não me baseei em um movimento específico.
Bang3: Sabemos
que no nosso país o Queer rap ainda é pouco trabalhado, para você, como
pioneiro desse movimento aqui no Brasil, quais foram as dificuldades
encontradas ao longo de sua evolução no rap?
Rico Dalasam: Encontro
dificuldades que qualquer outro artista encontra em início de carreira, de
tornar possível sonhos que não é muita gente que acredita. Não ficamos de
chororô quando encontramos dificuldade.
Bang3: Como
é a aceitação dos demais raps brasileiros em relação a essa nova vertente do
gênero?
Rico Dalasam: Tem
uns que gostam e os que fingem que gostam. Mas sigo rimando e confiando no meu
trabalho. Não vou conseguir agradar todo mundo.
Bang3: Atualmente,
assim como o Queer rap o rap feminino de Flora Matos e Carol Conka por exemplo
vem tendo uma significante visibilidade na mídia e no mundo musical, para você
essa ascensão dessas vertentes do hip-hop faz com que o machismo e a homofobia
estereotipada pelas pessoas que não fazem parte desse movimento norte-americano
diminua cada vez mais?
Rico Dalasam: A
tendência é que as culturas se fundam. E a gente canta porque acreditamos no
fim desse preconceito. NOssa matéria prima na música não é o preconceito.
Bang3: No
Brasil o racismo e o preconceito ainda são gritantes, e nesse meio você surge
divando e defendendo o movimento LGBTs e dando mais visibilidade ao orgulho
negro, de que forma você usa essas duas vias sociais em seus trabalhos?
Rico Dalasam: Eu
estou preocupado em fazer minhas músicas. Tudo que represento e
defendo é porque está minha carne. Procuro não me enquadrar num
padrão até mesmo quando ele está favorável à minha existência.
Bang3: Em
uma entrevista você fala a respeito do preconceito que sofreu na escola,
sabemos que muitos jovens e crianças principalmente ainda sofrem esse tipo de
coerção qual o caminho que você recorreu para não se deixar abater por conta do
racismo e o que você diria a essas pessoas que almejam um lugar na sociedade
mesmo com toda essa onda de princípio racista?
Rico Dalasam: Eu
tive que criar uma altivez que me protegeu e que fez eu chegar até hoje, aos 26
anos, quando é mais difícil alguém chegar até mim ara falar alguma coisa e eu
baixar a cabeça. Mas isso não me livrou das marcas do preconceito. Se proteger
é um processo de aprendizado. Por isso crianças são indefesas.
Bang3: "Aceite-C”,
o que você tem a dizer sobre esse fantástico clipe? Ele saiu como você imaginou
ou no final você descobriu que ainda tinha mais coisas para mostrar?
Rico Dalasam: Ele
saiu muito melhor de como eu imaginava. Era meu primeiro clipe, sem
dinheiro, só amigos envolvidos e eu fiquei muito feliz.
Bang3: Esse
ano você lançou o clipe de “Não posso esperar”, o que podemos esperar do seu
trabalho nesse ano que está para começar? Quais serão as novidades musicais e
audiovisuais?
Rico Dalasam:
Ainda este ano vou lançar o clipe de Riquíssima, para fechar o ciclo do EP Modo
Diverso. Já no primeiro semestre do ano que vem, venho com meu primeiro álbum
completo
Bang3: Muitos
jovens se arriscam nas rimas e sonham em um dia fazer sucesso com o rap, qual
seu conselho para eles?
Rico Dalasam: Acreditem,
mano. Acreditar é sempre preciso.
E assim finalizamos mais um Bang3
Entrevista, agradecendo ao Rico Dalasam por tirar um pouco do seu tempo para
bater esse papo conosco e a galera do Modo Diverso produções que viabilizou
essa comunicação. Para saber mais sobre o Rico visite a página dele nas redes sociais...
Daqui a dois dias estará nas telonas de todo brasil um filme nacional que promete arrancar risos extremos de todos os seus expectadores.
O filme que vem com uma chamada muito interessante já adianta que é uma comédia nada familiar. A trama é sobre Diogo vivido por Danton Mello, em sua adolescência era o
garoto mais popular da escola, rei das festas e da bagunça. As meninas queriam
estar com ele e os meninos queriam sê-lo. Agora, vinte anos mais tarde, é
apenas um homem comum, pai, marido, trabalhador. Uma reunião da turma de colégio
é sua chance de sair da rotina e a festa acaba levando a rumos inesperados e
surpreendente ao lado de alguns dos seus amigos.
Confira abaixo o trailer dessa louca e divertida comedia:
Sabemos que o mercado de cinema brasileiro investe bastante
nos filmes de comédias escrachadas ou nos dramas trágicos, levando as produções
a uma característica de graça ou de desgraça dos personagens das tramas, principalmente
as industrias cariocas, uma das que mais produzem filmes no Brasil na atualidade.
Porém vem surgindo não uma quebra nos gêneros dominantes, mas uma tentativa de
novas criações nesse meio cinematográfico que possa vim a dá uma nova roupagem
a linguagem cinematográfica brasileira.
Lançado em abril de 2014 o filme “Confia
em Mim” de Michel Tikhomiroff é uma das poucas propostas
de um suspense nacional. O início do filme é caracterizado por uma monótona comedia
romântica, onde uma garota encontra um garoto, e embora ambos tenham problemas
familiares e profissionais, o amor magicamente soluciona esses conflitos. Mas essa poética vamos se dizer “melosa” se
rompe após 20 min de duração, quando surge o primeiro fator caracterizante do gênero
que foi proposto no roteiro de Fábio Danesi, é nesse momento que o roteirista consegue
prender o espectador à história, sem necessitar desenvolver uma forte
complicação, ele apenas rompe o básico de forma rápida deixando os expectadores
interessados em saber qual será o desfecho da história da aspirante a chefe de
cozinha Mari (Fernanda Machado) que sonha em ter seu próprio restaurante e pra
isso se submete ao trabalho duro e o empresário Caio (Mateus Solano) o simpático
rapaz que surge para facilitar a realização desse grande sonho.
No filme não há nenhum excesso de
closes ou de trilha sonora, apenas a recursos cinematográficos mais
tradicionais, com planos de conjuntos quando os personagens estão juntos, planos
próximos quando falam e um movimento preciso de câmera quando se deslocam.
Nenhuma imagem surpreende pela grandiosidade na beleza, ousadia ou pela
reflexão. Confia em Mim é um filme sem assinatura, sem traço autoral.
Que mesmo sendo uma proposta nacional ainda beira os moldes dos suspenses
americanos.Este sem dúvidas é um suspense sem
surpresas, mas que não ofende a inteligência do espectador.
Os diretores e produtores brasileiros atuais estão se aventurando
no cinema de gênero e isso é muito bem-vindo já que a grande maioria dos espectadores
nacionais procuram produções que na maioria das vezes não são as produzidas pelo
cinema brasileiro.